domingo, 20 de dezembro de 2009

A outra vida de Catherine Millet

A outra vida de Catherine M.


(Catherine Millet)

“Senão acreditamos em predestinação, temos que admitir então que as circunstâncias de um encontro, que por comodidade atribuímos ao acaso, são, na verdade, o resultado de uma incalculável sequência de decisões tomadas em cada cruzamento de nossa vida e que, secretamente, nos levaram até ele. Não que tenhamos buscado, nem mesmo desejado, ainda que inconscientemente, todos os nossos encontros, até mesmo os mais importantes. O que acontece é que cada um de nós age como um artista ou um escritor que constrói sua obra numa sucessão de escolhas. Um gesto ou uma palavra não determina inelutavelmente o gesto ou a palavra seguinte; pelo contrário, coloca seu autor diante de uma nova escolha. Um pintor que colocou uma pincelada de vermelho pode escolher alongá-la, justapondo-lhe uma pincelada de roxo; pode escolhe fazê-la vibrar com uma pincelada roxa. No final, por mais que ele tenha trabalhado com uma certa ideia do quadro pronto na cabeça, a soma de todas as decisões tomada, sem que tenham sido previstas, fará surgir um novo resultado. É assim que vamos conduzindo nossa vida, num encadeamento de atos bem mais deliberados do que estamos prontos a admitir – porque assumir claramente toda essa responsabilidade seria um fardo muito pesado -, e que, no entanto, nos colocam no caminho de pessoas em cuja direção não pensávamos já estar nos dirigindo há tanto tempo.”

“... por esse ouvido não ser muito treinado que consegui destacar uma das raras vezes em que ele foi sensível, enquanto minha visão é muito solicitada e percebe facilmente os detalhes, às vezes aparentemente sem discernimento, que me comparo a essas pessoas que enlouquecem porque não podem separar e organizar os sinais visuais que lhe chegam do mundo exterior.”

“... Foi preciso conhecer mil para saber que com ele se tratava de uma relação ancorada num sentimento de natureza e perenidade incomparáveis a outros.”

“Que esperanças alimentamos quando o círculo familiar não tem nem as relações sociais ou sequer a capacidade de imaginar os meios que possam ajudar realizar uma ambição intelectual ou artística -...”.

“Sonhamos, esperamos o encontro extraordinário numa encruzilhada.”

... Iria me despertar do sono da multidão. Era apenas uma intuição, mas não havia dúvida de que, sendo mulher, a salvação viria de um homem certamente descobriria minhas aspirações e meus talentos (dos quais eu não duvidava!), mas que me identificaria primeiro pela minha fisionomia. De resto, os detalhes da aventura ainda me escapavam.”

“... Eu tinha traído um contrato cujo os termos nunca tinham sido estabelecidos. A regra deveria ser a liberdade, mas nenhum acordo,nem explícito nem tácito, havia definido seus limites.”

“... e só via nele um desejo de posse,um dos sentimentos primários forjados durante a primeira infância, mas que podem durar por muito tempo,eque ainda marcam vários jovens adultos.”

“Quando não pude deixar de reconhecer que um dos seus aspectos esse corpo esbarrava num limite,ou seja, não sendo a mais bonita poderia ser preterida por outra – o que eu não era tola o suficiente para ignorar...”

“ Eu não precisava de mais realidade, precisava apenas me apropriar dos signos encontrados nas revistas e no cinema.”

“A infância e a adolescência formam um longo período de sonolência durante o qual aquilo que o pensamento elabora,ainda não exerce verdadeira influência sobre a vida,pois os meios familiar e educacional freiam sua extensão;nossos gestos se tornam efetivos depois que saímos desses casulos,quanto a mim só precisei descolaras pálpebras.”

“...se tivéssemos fé,sólida e profunda – a única dificuldade seria medir a sinceridade dela -,nossos desejos seriam incondicionalmente realizados,como num passe de mágica... Enquanto acreditei em Deus, nunca duvidei de que ele me reservasse uma missão.”

 “Como meus pais brigavam muito, cabia a mim a tarefa restabelecer o amor entre eles e, além disso, de me dedicar aos outros para também conduzi-los pelos caminhos da solicitude e da compreensão; a partir daí, eu imaginava meu futuro num ambiente inteiramente pacificado. Mas essa vocação de santa era talvez apenas uma maneira entre outras de preparar uma, vida de heroína, semelhante àquelas ilustradas pelas minhas leituras profanas.”

“Mesmo quando o ser humano não acredita ou deixa de acreditar que tem de obedecer à Lei de Deus, se ele vê sua vida tornar-se idêntica ao destino impresso nas primeiras páginas do seu imaginário, não há motivos para questionar o caminho tomado por ele, muito menos para interpelar a vontade divina. Por maiores que tenham sido as dificuldades e os sofrimentos passados durante esses anos, nunca pensei em mudar de vida.

Eles participaram a tal ponto do meu equilíbrio que estou convencida, por exemplo, de que minha inaptidão para aprender a dirigir se deve a uma vontade instintiva de dedicar aos sonhos esses momentos tão perfeitamente apropriados que são os deslocamentos em transportes públicos.”

“O sonhador difrata sua vida. O mundo desenrola diante de seus olhos tantas imagens atraentes, ou perigosamente curiosas, que ele gostaria de refletir todas, e coloca-as em perspectiva, isto é,aprofunda-as e as enriquece.”

“... o sonhador prefere ser várias pessoas, viver várias vidas, muitas das quais têm a mesma consistência e a perenidade de um grão de poeira que o vento deixou por acaso na entrada da casa. Por outro lado, estamos enganados ao acreditar que aquele que devaneia se afasta do mundo, pois quase sempre suas outras vidas o colocam, pelo contrário,em empatia com ele.”

“Não é possível nenhuma identificação com uma determinada pessoa. Mesmo quando senti, com toda lucidez, um forte desejo por um homem, sem que esse desejo pudesse ser satisfeito a longo ou curto prazo, ou mesmo fosse possível, nem por isso compensei a frustração realizando-o na fantasia. A constatação é curiosa: o espaço dos meus devaneios é tão impermeável , tão radicalmente proibido a qualquer pessoa que tenha a meus olhos a mínima identidade que, embora eu pudesse acolher essa pessoa sem muita hesitação na intimidade da minha vida sexual real, se houvesse finalmente essa oportunidade, ela passaria a se excluída dos meus devaneios eróticos.”

“Então, durante anos, paralelamente a esse eixo, vivi partes de diversas outras vidas, entre as quais algumas correspondiam a relações longas e profundas. Escrevo “vidas” e não “aventuras” porque um ritmo, regras, ritos específicos caracterizaram cada uma dessas relações.”

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O fio das Missangas - Mia Couto

“É preciso entender que os meninos estão deixando de ler os livros porque estão deixando de ler o mundo, de ser capaz de ler os outros, de ler a vida. Estão perdendo a disponibilidade de estar aberto aos demais, estar atentos às vozes, saber escutar. Há toda uma pedagogia que é preciso ser feita no conjunto. Não se pode isolar o livro e torná-lo como se fosse bandeira única desta luta. Uma coisa que aprendo na África é esta habilidade de se contar histórias e fazer com que o livro seja uma maneira de estimular, que os meninos não sejam só consumidores de história, mas também produtores de história. Quem não sabe contar uma história é pobre de alguma maneira.”







(Mia Couto, para revista ISTOÉ, sobre como estimular o gosto pela leitura.)



“Ensinaram-me tanta vergonha em sentir prazer, que acabei sentindo prazer em ter vergonha”



“E nem inveja eu sentiria. Mais do que o dia seguinte, eu esperava pela vida seguinte.”


“O espelho me devolve a minha antiquíssima vaidade de mulher, essa que nasceu antes de mim e a que nunca pude dar brilho.”


“Agora reparo: afinal, nem envelheci. Envelhecer é ser tomado pelo tempo, um modo de ser dono do corpo. E eu nunca amei o suficiente. Como a pedra que não espera nem é esperada, fiquei sem idade”


“A meu homem deram transfusão de sangue. Para mim, o que eu queria era transfusão de vida, o riso me entrando na veia até me engolir, cobra de sangue me conduzindo a loucura.”


“Você marido, enquanto vivo me impedia de viver. Não me vai fazer gastar mais vida, fazendo demorar. Infinita, despedida.”


“Tínhamos não camas separadas, mas sonos apartados.”


“Ninguém nota o fio que, em colar vistoso, vai compondo as “missangas”. Também assim é a voz do poeta: um fio de silêncio, costurando o tempo.” Mia Couto


“A mim, quando me deram a saia de rodar, eu me tranquei em casa. Mais que fechada, me apurei invisível, eternamente nocturna. Nasci para cozinha, pano e pranto. Ensinaram-me tanta vergonha em sentir prazer, que acabei sentindo prazer em ter vergonha.”


“No dia seguinte, as outras chegariam e me falariam do baile, das lembranças cheias de riso matreiro. E nem inveja sentiria. Mais que o dia seguinte, eu esperava ela vida seguinte.”


“Minha mãe nunca soletrou meu nome. Ela se calou no primeiro choro, tragada elo silêncio.”


“Há um rio que atravessa a casa. Esse rio, dizem, é o tempo. E as lembranças são peixes nadando ao invés da corrente. Acredito sim, por educação. Mas, não creio. Minhas lembranças são aves. A haver inundação é de céu, repleção de nuvem. Vos guio por essa nuvem, minha lembrança.”


“Há muitos sóis. Dias é que só há um.”


“A realidade é uma rasteira, feita de peso e de pés na terra.”


“Menti que sim. Afinal, mais valia um pássaro. Mesmo de fingir. Deixássemos Zuzé voar, ele já não tinha onde tombar. Neste mudo, não há pouso para aves dessas. Onde ela anda, é outro céu.”


“Que aquilo provinha de ele Ter existência limpa: lhe dava a requerida leveza. Fosse um político e, com o peso da consciência, desfechava logo de focinho. Outros se opunham: naquele estado de pelicano, o cidadão fugia de suas dívidas. Ninguém cobra no ar.


“Mas eu sabia que não. O barco estava ainda muito cru, a madeira tinha ainda vontade de raiz. Nosso tio não tinha feito um barco para flutuar. Isso fazem todos, disse, é tudo barcos, uns iguais e outros também.”


“...desde nascença o pudor adiou o amor.”


“Uma tristeza de nascença me separa do tempo.”


“Os braços se atropelavam, disputavam as magras migalhas. Em casa de pobre ser o último é ser nenhum.”


“...quando secar o rio estarei onde? E ele me respondeu : o rio vive dentro de si, o barco é que secará.”


“Só a lágrima me desnudava, só ela me enfeitava. Na lágrima flutuava a carícia desse homem que viria. Esse aprincesado me iria surpreender. E me iria amar, em plena tristeza. Esse homem me daria por fim, um nome. Para o meu apetite de nascer, tudo seria pouco, nesse momento.”

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Mensagem indefinida e transparente de fim de ano

Se pudesse transformar o passado, certamente seria menos dura comigo. Ofereceria mais flores, distribuiria mais abraços, faria mais amigos e me permitiria mais. Esse é o começo comum de uma mensagem de fim de ano, mas, essa não é uma mensagem comum. É o depoimento explícito de alguém que se permitiu mais, amou muito, deu todos os abraços que desejou e que fez muitos amigos, conservando com carinho todos os que já faziam parte de seu mundo. Alguém que ousou sonhar e que lutou muito para que o destino não fosse uma fatalidade. Que disse o que pensava, que aprendeu a dizer, que cometeu erros, mas, que aprendeu a se perdoar. Alguém que se encontrou humana e que um dia... destituiu-se de todas as máscaras e quase deixou-se derrubar pelas circunstâncias. Alguém que nadou contra corrente e não sorriu por último, nem melhor...mas sorriu! Que distribuiu sementes em sólido e árido solo e soube esperar a chuvas para que germinassem.


Se pudesse... e posso... continuarei caminhando em direção ao desconhecido com a certeza de encontrar... bom...não faz diferença o que encontrarei. Trago a certeza interna de que a maturidade me oferecerá possibilidades e construirei o meu presente com toda a segurança que adquiri no passado. Sei que posso chorar, me decepcionar, ter desejos que nunca os realizarei e, em alguns momentos poderei até encontrar a solidão e o medo novamente, mas, nada será tão forte que me faça ver a vida sem utopias e esperanças.



Wanderlúcia Welerson Sott Meyer

Publicado no Recanto das Letras em 08/12/2009

Código do texto: T1967217

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A paixão segundo G.H. - CLARICE LISPECTOR

        Ao esmagar a barata, e depois degustar seu interior branco, operou-se em G.H. uma revelação. O inseto a apanhou em meio a sua rotina “civilizada”, entre os filhos, afazeres domésticos e contas a pagar, e a lançou para fora do humano, deixando-a na borda do coração selvagem da vida. Esse desejo de encontrar o que resta do homem quando a linguagem se esgota move, desde o início, a literatura de Clarice.

  • ____estou procurando, estou procurando. Estou tentando entender. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda. Não confio no que me aconteceu. Aconteceu-me alguma coisa que eu, pelo fato de não a saber como viver, vivi uma outra? A isso quereria chamar desorganização, e teria a segurança de me aventurar, porque saberia depois para onde voltar: para a organização anterior. A isso prefiro chamar desorganização pois não quero me confirmar no que vivi - na confirmação de mim eu perderia o mundo como eu o tinha, e sei que não tenho capacidade para outro.
  • Se eu me confirmar e me considerar verdadeira, estarei perdida porque não saberei onde engastar meu novo modo de ser - se eu for adiante nas minhas visões fragmentárias, o mundo inteiro terá que se transformar para eu caber
  • Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar.
  • E uma desilusão. Mas desilusão de quê? se, sem ao menos sentir, eu mal devia estar tolerando minha organização apenas construída? Talvez desilusão seja o medo de não pertencer mais a um sistema. No entanto se deveria dizer assim: ele está muito feliz porque finalmente foi desiludido. O que eu era antes não me era bom. Mas era desse não-bom que eu havia organizado o melhor: a esperança. De meu próprio mal eu havia criado um bem futuro. O medo agora é que meu novo modo não faça sentido? Mas por que não me deixo guiar pelo que for acontecendo? Terei que correr o sagrado risco do acaso. E substituirei o destino pela probabilidade.
  • Fico tão assustada quando percebo que durante horas perdi minha formação humana. Não sei se terei uma outra para substituir a perdida. Sei que precisarei tomar cuidado para não usar superficialmente uma nova terceira perna que em mim renasce fácil como capim, e a essa perna protetora chamar de uma verdade Mas é que também não sei que forma dar ao que me aconteceu. E sem dar uma forma, nada me existe. E - e se a realidade é mesmo que nada existiu?! Quem sabe nada me aconteceu? Só posso compreender o que me acontece mas só acontece o que eu compreendo - que sei do resto? O resto não existiu. Quem sabe nada existiu! Quem sabe me aconteceu apenas uma lenta e grande dissolução? E que minha luta contra essa desintegração está sendo esta: a de tentar agora dar-lhe uma forma? Uma forma contorna o caos, uma forma dá construção à substância amorfa - a visão de uma carne infinita é a visão dos loucos, mas se eu cortar a carne em pedaços e distribuí-los pelos dias e pelas fomes - então ela não será mais a perdição e a loucura: será de novo a vida humanizada.


    A vida humanizada. Eu havia humanizado demais a vida.
  • Mas receio começar a compor para poder ser entendida pelo alguém imaginário, receio começar a “fazer” um sentido, com a mesma mansa loucura que até ontem era o meu modo sadio de caber num sistema. Terei que ter a coragem de usar um coração desprotegido e de ir falando para o nada e para o ninguém? Assim como uma criança pensa para o nada. E correr o risco de ser esmagada pelo acaso.
  • Vida e morte foram minhas, e eu fui monstruosa. Minha coragem foi a de um sonâmbulo que simplesmente vai. Durante as horas de perdição tive a coragem de não compor nem organizar. E, sobretudo a de não prever. Até então eu não tivera a coragem de me deixar guiar pelo que não conheço e em direção ao que não conheço: minhas previsões condicionavam de antemão o que eu veria. Não eram as antevisões da visão: já tinham o tamanho de meus cuidados. Minhas previsões me fechavam o mundo.
  • Eu vi. Sei que vi porque não dei ao que vi o meu sentido. Sei que vi - porque não entendo. Sei que vi - porque para nada serve o que vi. Escuta, vou ter que falar porque não sei o que fazer de ter vivido. Pior ainda: não quero o que vi. O que vi arrebenta a minha vida diária. Desculpa eu te dar isto, eu bem queria ter visto coisa melhor. Toma o que vi, livra-me de minha inútil visão, e de meu pecado inútil.
  • Por enquanto estou inventando a tua presença, como um dia também não saberei me arriscar a morrer sozinha, morrer é do maior risco, não saberei passar para a morte e pôr o primeiro pé na primeira ausência de mim - também nessa hora última e tão primeira inventarei a tua presença desconhecida e contigo começarei a morrer até poder aprender sozinha a não existir, e então eu te libertarei. Por enquanto eu te prendo, e tua vida desconhecida e quente está sendo a minha única íntima organização, eu que sem a tua mão me sentiria agora solta no tamanho enorme que descobri. No tamanho da verdade?



    Mas é que a verdade nunca me fez sentido. A verdade não me faz sentido! É por isso que eu a temia e a temo. Desamparada, eu te entrego tudo - para que faças disso uma coisa alegre. Por te falar eu te assustarei e te perderei? mas se eu não falar eu me perderei, e por me perder eu te perderia.
  •  A verdade não faz sentido, a grandeza do mundo me encolhe. Aquilo que provavelmente pedi e finalmente tive, veio, no entanto me deixar carente como uma criança que anda sozinha pela terra. Tão carente que só o amor de todo o universo por mim poderia me consolar e me cumular, só um tal amor que a própria célula-ovo das coisas vibrasse com o que estou chamando de um amor. Daquilo a que na verdade apenas chamo mas sem saber-lhe o nome.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Bert Hellinger




 O vínculo entre parceiros exige que o homem deseje a mulher como mulher e que a mulher deseje o homem como homem. O vínculo não se estreita completamente quando os parceiros se desejam por motivos diferentes: por passatempo ao adorno, como provedores, por ser um deles rico ou pobre, católico ou protestante, judeu ou muçulmano; porque um quer conquistar, proteger, melhorar ou salvar o outro; porque um quer que o outro seja, sobretudo, pai ou mãe de seus filhos. Parceiros que se juntam com esses objetivos em vista não consolidam uma união capaz de resistir a crises graves. Se o homem continua a ser um filho em busca de uma mãe e a mulher continua a ser uma filha em busca de um pai, suas relações, embora afetuosas, não são relacionamentos de homens e mulheres adultos. As pessoas que estabelecem relacionamentos na esperança, reconhecida ou não, de que ganharão algo que não recebem do pai ou da mãe, estarão, na verdade, procurando pais.




Homem e Mulher: A base da família




A base da família é a atração sexual entre um homem e uma mulher.Quando um homem deseja uma mulher, deseja aquilo que, como homem, lhe é necessário e não possui.Quando uma mulher deseja um homem, também deseja aquilo que,como mulher lhe falta.Macho e fêmea formam uma união de parceiros que se definem e completam mutuamente.Um é aquilo de que o outro necessita e cada qual necessita aquilo daquilo que o outro é. Para que o amor tenha êxito,precisamos dar o que somos e receber do parceiro aquilo de que necessitamos.Dando-nos, recebendo e possuindo o parceiro,tornando-nos homem e mulher, e formamos um casal.

A expressão amorosa, na intimidade sexual (e ás vezes,apenas o intercurso sexual),freqüentemente liga os parceiros,que eles queiram,quer não.Não é a intenção ou a escolha que estabelece o vínculo, mas o próprio ato físico.Essa dinâmica pode ser observada no sentimento de proteção que algumas vítimas de estupro ou incesto experimentam para com os agressores e nos encontros sexuais casuais que deixam traços duradouros.

A vergonha de mencionar e reconhecer esse aspecto muito íntimo do relacionamento de um casal prende-se ao fato de a paixão sexual ser vista ainda,em certos círculos,como algo abjeto e indigno.Não obstante isso,a consumação sexual constitui o maior ato humano possível.Nenhuma outra ação humana está mais em harmonia com a ordem e a riqueza da vida,expressa melhor nossa participação na totalidade ou traz consigo prazer tão intenso-e,em conseqüência ,tão delicioso sofrimento.Nenhum ato oferece tantas recompensas ou acarreta tantos riscos,exigindo mais de nós e tornando-nos sábios,compreensivos e humanos,quanto a tomada do outro,o conhecimento do outro e a união com o outro no amor.Comparativamente, as outras atividades humanas parecem mero prelúdio,repetição,alívio ou conseqüência- uma imitação precária.
A expressão sexual do amor representa também o nosso ato mais humilde.Em nenhuma outra circunstância nós nos expomos tão completamente,denunciando a mais cabal vulnerabilidade.Nada preservamos com mais recato que esse local íntimo onde os parceiros revelam um ao outro o seu ser mais profundo,confiando-se mutuamente esse ser.Graças à expressão sexual do amor,homens e mulheres deixam pais e mães para se tornar,como diz a Bíblia, “ uma só carne”.


Gostemos ou não, o vínculo especial e,no sentido mais profundo, indissolúvel entre os parceiros surge da união sexual.Somente esse ato faz deles um casal,somente esse ato pode torná-los pais.Por isso,se sua sexualidade for limitada de alguma maneira-por inibições ou pela esterilização de um deles-,o vínculo não se completa,ainda que o casal o deseje. O mesmo se aplica aos relacionamentos platônicos,em que os parceiros evitam os riscos da sexualidade e sentem menos culpa ou responsabilidade quando se separam.Depois que os parceiros se ligaram pela intimidade sexual, a separação sem culpa ou sofrimento não é mais possível.Eles não podem partir como se a união nunca houvesse existido.Embora esse apego seja um problema para os pais que se separam,também protege os filhos de separações precipitadas ou caprichosas.

O papel crucial que a sexualidade desempenha na união dos casais evidencia o primado da carne sobre o espírito,bem como a sabedoria da carne.Somos tentados a desvalorizar a carne em comparação com o espírito,como se o que se faz a partir da necessidade física,do desejo e do amor sexual tivesse menos valor que os benefícios da razão e da moralidade.Mas o desejo físico mostra a sua força,e mesmo sabedoria, no ponto em que a razão e a moralidade atingem seus limites e recuam. O desejo continua a manifestar-se depois que as frias exigências racionais se esgotaram ou embotaram.A razão superior e o significado profundo que emergem de nossas necessidades físicas instintivas superam e controlam a racionalidade e a vontade. Estão mais próximos do centro da vida e são mais resistentes.



Texto extraído do livro de Bert Hellinger “ A Simetria oculta do amor”.pág. 47 e 48,editora Cultrix ,2005.


Muita gente supõe que se nós amarmos bastante, triunfará o amor e tudo se transformará em bem. A experiência demonstra que isto não é verdade. Às vezes os pais vêem, desesperadamente, como os seus filhos, embora profundamente amados, tornam-se diferentes não esperavam eles que, por vezes ficando Doentes, viciados em drogas ou suicidas. Tais experiências mostram que, para além do amor, è necessario algo mais para que o amor seja bem sucedido. O que o amor é Requer que nós sigamos compreendamos e as ordens escondidas do Amor.




ORDEM E AMOR



O Amor completa-se com o conteúdo das Ordens.

O Amor é água, as ordens são o seu jarro.



As Ordens são uma terra arrendada,

Permitindo que o Amor flua.



Ordem e cooperam Amor:

Tal como a melodia e suas harmonias,

Assim é o Amor com as ordens suas.



Tal como nossos ouvidos são arranhados pela dissonância,

Mesmo quando explicada,

Também a nossa alma adapta-se com dificuldade

Ao Amor sem ordem.



Alguns tratam as ordens como se elas

Fossem opiniões que possamos

Ter ou mudar a vontade.



Mas elas são como são.

Trabalham, mesmo quando não compreendemos como.

Nós não o criamos, descobrimo-las.

Concluímos então, como Desígnio e Alma,

Do seu efeito.



Muitas destas estão escondidas ordens e nós não podemos observá-las directamente. Trabalham profundamente na alma, e tendemos um obscurecê-las com as nossas crenças, objecções, ansiedades ou desejos. Necessitamos de entrar profundamente na alma se quisermos tocar como Ordens do Amor.



Aceitar A VIDA COMO ELA É



Gostaria de começar dizendo algo sobre as Ordens do Amor entre Pais e filhos, partindo da perspectiva do filho. Estas observações são fundamentais e tão óbvias que eu hesito em menciona-las completamente, mas não obstante Frequentemente elas são esquecidas.



Quando os pais dão a vida, agem de acordo com o mais profundo da sua humanidade Dão e,-se enquanto pais aos seus filhos exactamente como são. Não Podem adicionar qualquer coisa ao que são, también nem deixar qualquer coisa de fora. Pai e mãe, consumando o seu amor um pelo outro, dão aos seus filhos tudo o que são. Assim, a primeira das Ordens do Amor é que os filhos Tomam a vida como ela lhes é dada. Uma criança não pode deixar qualquer coisa de fora da vida que lhe é dada, nem o desejo de que ela seja diferente vai mudar alguma coisa.



Uma criança e dos seus pais. O Amor, se for para ter sucesso, um filho que Requer aceite os pais tal como são, sem medo e sem imaginar que pais diferentes poderia ter. Afinal de contas, pais diferentes teriam diferentes filhos. Nossos pais são os únicos possíveis para nós. Imaginar que qualquer outra coisa seja é possivel uma ilusão.



Aceitar nossos pais tal como são É um movimento muito profundo. Implica o nosso acordo com a vida eo destino, exactamente como nos são Apresentados pelos nossos pais, com as limitações que são inerentes a isso. Com as oportunidades que damos um Próprios nós. Com o enredo sem sofrimento, e culpa má sorte da nossa família, ou sua felicidade e boa sorte, pode acontecer como tal.



Esta afirmação de nossos pais tal como são é um acto religioso. Expressa a nossa prontidão a dar falsas expectativas, caem ou que excedem de Acordo com a vida que realmente os nossos pais nos deram. Esta afirmação religiosa estende-se para além dos nossos pais, e assim, ao aceitar os Nossos Pais, devemos olhar para além deles. Devemos ver para além deles à distância, de onde vem a própria vida, e devemos curvarmo-nos Perante o mistério da vida. Quando aceitamos os nossos pais tal como são, reconhecemos o mistério da vida e submetemo-nos a ele.



Você pode testar o efeito desta aceitação na sua alma imaginando-se profundamente curvado Perante os seus pais e lhes dizendo, "a vida que vocês me deram para mim veio ao preço total que custou vos, eo preço total foi o que custou. Eu aceito -a com tudo o que com ela vem, com todas as suas limitações e oportunidades ". No momento em que estas frases são ditas sinceramente, nós reconhecemos a vida como ela é e como são nossos pais. O coração abre-se. Quem quer que controle esta afirmação sente-se pleno e em paz.



Compare o efeito desta afirmação com o seu oposto, imaginando-se um afastar-se de seus pais, dizendo, "eu quero pais diferentes. Não gosto de como os meus são." Que ilusão, como se fosse Possível sermos nós Próprios Pais e diferentes ter. Aqueles que falam em segredo estas frases afastam-se da vida como ela é, e sentem-se vazios, sem apoio, e não eles encontram paz Próprios com.



Algumas pessoas temem que aceitarem se os seus pais tal como são, aceitar Devem também o lado mau deles, e agem como se pudessem escolher somente uma parte da vida que preferem. Temendo aceitar a vida da Totalidade, também se perde o que é bom. Aceitando os Nossos Pais como são, também aceitamos uma plenitude da vida, tal como ela é.



Unicidade



Há, entretanto, um outro mistério envolvido. Nomeadamente, aquilo que nós experimentamos é único, que cada um de nós tem algo pessoal que não pode ser duplicado e que é diferente do que tem os nossos pais. E isto também afirmado deve ser, seja fácil ou difícil, mau ou bom. Claramente se olharmos para o mundo e para nossas vidas como Próprias, vemos então que tudo o que é e que tudo o que fazemos, pertence a maior todo um.



O que quer que façamos ou que recusemos fazer, para o que trabalhamos e ao que nos opomos, fazemos porque nós servimos um um todo maior ao qual não compreendemos. Se nos tornarmos íntimos deste todo maior, então experimentamos este serviço como uma tarefa ou uma chamada que não adiciona nada às nossas realizações pessoais se for bom, nem à nossa culpa pessoal se for terrível. Simplesmente somos Chamados para servir. Quando olhamos para o mundo desta maneira, como distinções HABITUAIS Tornam-se irrelevantes. Eu chamo a isto, o mesmo.



O MESMO



A brisa mover-se suave e sussurrante,

uma tempestade ruge e explodir.

Ainda é o mesmo vento,

a mesma canção.



A mesma água

Banha-nos e afoga-nos,

Carrega-nos e enterra-nos.



O que quer que Esteja vivo, usam-se,

preservam-se e destroem-se,

uns aos outros,

dirigidos pela mesma força.



Isto é que interessa.

Quem é servido pelas diferenças?



Estas são então as condicoes de vida fundamentais. É uma dádiva termos pais e sermos crianças. E também, temos que algo unicamente pessoal.



Analisando O QUE OS PAIS DÃO Adicionalmente



Além de nos darem a vida, os nossos pais dão-nos outras coisas também. Alimentam-nos, animam-nos, cuidam de nós, e muito mais. Isto funciona bem quando a criança aceita o que lhe é dado, tal como lhe é dado. Regra geral, as crianças só aceitam o que necessitam, do que lhes é oferecido. Naturalmente há excepções como todos que nós compreendemos, mas regra geral, o que os pais dão aos seus filhos é o suficiente. Os Filhos Não podem ter tudo o que querem e nem todos os sonhos são realizados, mas normalmente, bastante Recebem os filhos.



É consistente com as ordens do amor Quando os filhos dizem aos seus pais, "vocês deram-me bastante, e é suficiente. Eu aceito isso de Apreciação com vós e amor." Um Próspero e filho que sinta isso, sente-se cheio, não importa o que pode ter ido antes. Tal Filho poderia adicionar ", eu cuidarei do resto." Esta é também uma bonita experiência. E o filho poderia adicionar ", agora deixo-os em paz." O efeito destas frases é muito profundo. Os pais têm filhos os seus, e os pais Têm os seus filhos. São Simultaneamente separados e Tornam-se independentes. Os pais terminaram o seu trabalho, e os filhos são livres para viver as suas vidas com respeito para com seus pais, dependentes deles Serem sem.



Mas sinta o que se passa na alma quando você imagina um Os Filhos dizerem aos seus pais, "o que vocês me deram, primeiro, não foi uma coisa certa e segundo, não foi o suficiente. Vocês Devem ainda me." O que é que os filhos Recebem dos seus pais quando Desta maneira sentem? Nada. E o que é que Recebem os pais dos seus filhos? Também nada. Tais filhos Não podem separar-se dos seus pais. Suas Acusações e pedidos amarram-nos aos seus pais de modo que, Estejam embora limitados a eles, nenhum progenitor não tem. Sentem-se então vazios, fracos e necessitados.



Esta é a segunda Ordem do Amor, que os filhos tomem o que os seus pais lhes dão para além da vida como ela é.



MEDIDA DO FILHO



Adicionalmente à vida que os pais dão aos seus filhos, e ao que quer que seja que lhes dão enquanto CRIAM OS, há também os presentes que os pais dão, do que acumularam com os seus Próprios Esforços. Por exemplo, uma mãe é uma pintora prendada que pinta os quadros mais maravilhosos. Isto pertence a ela e não aos seus filhos. Se os seus filhos ficarem decepcionados porque não conseguem pintar quadros tão belos - embora não tenham o seu talento e não trabalhassem tão arduamente como ela - eles violam as Ordens do Amor. Não é assim que funciona uma vida. Material O mesmo aplica-se à riqueza. Os filhos que se sentem herdeiros da riqueza dos seus pais, e ficam decepcionados quando não o são, o amor danificam. Se herdarem uma riqueza, então o amor estará bem servido quando um tratam puramente como uma dádiva.



Isto é importante porque também se aplica a culpa pessoal dos Nossos Pais. A culpa pessoal dos nossos pais pertence-lhes a eles, sozinhos. Frequentemente acontece que os filhos, sem o amor de seus pais, Tomam a culpa deles Tentam e carregá-la. Mas isto viola as Ordens do Amor. Filhos Tais presunçosamente Tentam fazer algo que não nenhum direito Tem de fazer. Por exemplo, quando os filhos Tentam expiar os erros dos pais, Colocam-se acima de seus pais e tratam-nos como se Fossem os pais de crianças que necessitam de tomar conta, e como se os Filhos Fossem os pais.



Não há muito tempo havia uma mulher num grupo Cujo pai era cego ea mãe surda. Eels compensavam-se um ao outro muito bem. Mas a mulher sentiu que necessitava de cuidar dos pais, e quando nós construímos uma sua constelação familiar, o seu representante agiu como se fosse grande e seus pais pequenos. Na constelação, a mãe disse-lhe que, "até que o teu pai queira, eu posso cuidar dele sozinha." E o pai disse-lhe que, "a tua mãe e eu estamos bem sozinhos. Não Necessitamos de ti." Mas a mulher ficou mais decepcionada do que aliviada. Foi reduzida ao tamanho de filha, de criança.



Não conseguia dormir nessa noite. De facto, sofria de insónias. No dia seguinte, perguntou-me se eu a poderia ajudar. Eu disse, "como pessoas que não conseguem dormir às vezes acreditam que necessitam de vigiar algo." Então eu contei-lhe uma história de Borchert sobre um menino em Berlim após a guerra. Ele vigiava dia e noite o corpo do irmão morto para que os ratos não o comessem. Embora estivesse completamente esgotado, estava convencido que era obrigado uma Manter-se de vigia. Um homem caridoso veio ter com ele e disse-lhe, "de noite dormem os ratos". Então o menino caiu adormecido. Nessa noite, dormiu também uma mulher.



A Ordem Terceira do Amor entre pais e filhos é que respeitamos o que pertence pessoalmente aos nossos pais, e permitimos que façam o que somente eles, e fazer Devem también.



TOMANDO E DESAFIANDO



A quarta Ordem do Amor entre pais e filhos é que os pais são grandes e os filhos são pequenos. É Apropriado que aceitem os filhos e os pais dêem. Porque tanto Recebem os filhos, Necessidade Tem de balançar a conta. Faz-nos sentir incómodos quando aceitamos daqueles que amamos sem poder retribuir. Com os nossos pais nunca podemos corrigir o desequilíbrio porque Eles dão sempre mais do que nós podemos retribuir.



Alguns filhos fogem da pressão da reciprocidade, da sensação de Obrigação ou de culpa. Então dizem: "eu prefiro não Receber e nada sentir-me livre da culpa e Obrigação". Tais filhos fecham-se aos seus pais e sentem-se vazios e empobrecidos. O amor seria melhor servido se dissessem enguias ", aceito tudo o que me derem com amor." Poderiam então olhar amorosamente para os seus pais, os pais e Poderiam ver como eram os seus filhos felizes. Esta é uma maneira de aceitar, que consegue equilibrar, porque os pais sentem Reconhecimento por este tipo de aceitação, com amor. E ainda dão de boa vontade maior.



Quando os filhos exigem, "vocês Devem dar-me mais", então os corações dos Pais fecham-se. Porque exigem os filhos, os pais não inunda mais podem-los voluntariamente de amor. É tudo o que conseguem Exigências essas, elas proíbem o fluxo natural do amor. E os filhos exigindo, mesmo quando conseguem algo, não lhe dão valor.



Reciprocidade



Entre pais e filhos, a dar em reciprocidade e Receber é conseguida dando uns aos outros o que recebemos. Isto faz os pais muito felizes quando os filhos dizem, "eu recebo tudo o que me dás, e quando for grande, passa-lo-ei para os meus filhos." Os filhos não olham para trás quando dão Desta maneira, eles olham em frente. Foi o que fizeram os seus pais, eles receberam dos Próprios Pais e deram aos seus filhos. Porque tanto receberam, sentem-se pressionados para dar abundantemente, e fazer isso también.



É isto o que eu quero dizer sobre as Ordens do Amor entre pais e filhos.



A PRÓXIMA FAMÍLIA



Nós pertencemos não somente aos nossos pais, mas também à nossa família próxima, a maior sistema de UM. O nosso sistema familiar comporta-se como se fosse controlado por uma Função mais elevada de que todos os membros compartilham em comum. Podemos comparar isto um um bando de pássaros. De repente todos os pássaros voam num novo sentido, como se os pássaros individuais Movidos Fossem em comum pela decisão do bando. Num sistema familiar, esta elevada idade Função de grupo como uma consciência de família compartilhada. Esta consciência comum é primariamente inconsciente, e nós podemos Reconhecer as ordens que serve, pelo que acontece quando nós lhe obedecemos ou violamos Exigências como suas.



Podemos dizer quem pertence ao sistema familiar observando quem é afectado por esta consciência comum, e quem não é. Regra geral, as seguintes pessoas pertencem um sistema um familiar:



Todas as crianças, incluindo como defuntas e os nados-mortos;

Os pais e seus parentes;

Os avós;

Ocasionalmente um ou outro dos bisavós, incluindo os parentes mesmo mais distantes que sofreram um destino particularmente difícil ou injusto;

Os não-parentes quando também pertencem ao sistema, Através da sua morte ou infortúnio, alguém na família beneficiou, por exemplo, sócios ou parentes anteriores dos pais e avós.

O DIREITO DE SOCIEDADE



Um Princípio fundamental aplica-se a um sistema familiar que determina que todos os membros Tem um direito igual de lhe pertencer. Em muitas clãs e famílias, DETERMINADOS membros foram excluídos, um tio por exemplo, que era a ovelha negra da família, um filho ilegítimo ou sobre quem ninguém falava.



Ou alguns membros podem dizer, "eu sou Católico e tu és Protestante, Católico e como tenho um maior direito de pertencer do que tu." Ou o reverso ", como um Protestante, eu tenho um direito maior de pertencer, porque eu pertenço à fé verdadeira. Menos Tu és fiel do que eu, então tu tens menos direito de pertencer." A religião não é tão importante como era hábito, mas outras coisas são ainda, como uma profissão, nacionalidade, cor da pele, género.



Ou, às vezes quando um filho em criança morre, os pais dão ao filho seguinte o mesmo nome. Dizem efectivamente à criança falecida ", você já não pertence. Nós temos um substituto para ti." A criança falecida não pode mesmo Manter o seu próprio nome. Em muitas famílias tais crianças nem são contadas entre os filhos, nem dadas em São Paulo. O seu direito fundamental de pertencer é ferido e negado.



Muitos chamam moralidade, especialmente quando alguns membros acreditam que são melhores do que os outros e Colocam-se acima deles, realmente é uma mensagem, "nós temos mais direito de pertencer do que tu." Ou quando falamos mal de outros membros e os maus Tratamos como se Fossem, nós estamos a dizer, "tu tens menos direito de pertencer do que eu." Em tais situações, "bom" quer dizer somente que eu tenho mais direito de pertencer e "mau" significa que tu tens menos direito de pertencer.



OS MEMBROS SÃO EXCLUÍDOS Representados



A dinâmica fundamental num sistema familiar é que todos os membros Tem um igual direito de pertencer e não é tolerado ferir. Sempre que num sistema alguém é excluído familiar, gera-se uma Necessidade de compensação. Esta dinâmica de compensação leva a que o membro excluído ou desdenhado seja representado por um membro mais novo da família, que está inconsciente de, e sem poder fazer nada contra essa identificação.



Por exemplo, um homem casado apaixona-se por outra mulher e diz a sua esposa que não quer ter mais nada com ela. Inventa razões superficiais e caprichosas para justificar as suas Acções, compondo uma injustiça feita à sua esposa. Mais tarde com filhos teve a sua nova companheira, mas a sua filha enfrenta-o por nenhuma razão aparente. Verifica-se que um representante inconscientemente uma filha sua primeira esposa e pelo pai sente o mesmo ódio que uma sua primeira esposa DEVE ter sentido, mesmo não sabendo da Existência da primeira mulher. Nisto, podemos ver o trabalho de uma invisivel e Sistemática força compensatória, vingando a injustiça feita ao anterior membro Através da Utilização inconsciente de um membro mais novo.



Sérias Muito em disfunções Distúrbios nenhum comportamento familiar nas crianças, mas também como doenças, acidentes e uma tendência comportamentos suicidas quando Ocorrem como REPRESENTAM crianças inconscientemente uma pessoa excluída para satisfazer uma Necessidade de Restituição dessa pessoa. Isto mostra uma segunda característica da consciência do sistema familiar. Assegura justiça para os membros mais antigos e causa injustiça para os mais novos.



SOLUÇÃO



Os membros mais novos da família pueden ser libertados de tais enredos quando uma ordem é restabelecida fundamental, quando os membros excluídos aceites são novamente na Recebem e família Devido o respeito. Por exemplo, a segunda esposa pode dizer a primeira, "eu tenho este homem e tu pagaste o preço; RESPEITO A perda do Tua e reconheço que te foi feita uma injustiça, que peço-te, por favor, sejas amigável para mim e para os meus filhos. " Quando são ditas sinceramente, nomeiam frases tais honestamente o que aconteceu e prestam à primeira esposa Devido o respeito. Nas Constelações familiares Frequentemente observamos como um cara da primeira esposa amacia e como se torna amigável porque é respeitada. A sua Reacção demonstra que também pertence à família.



A solução Requer também que uma criança que representa a primeira esposa lhe diga, "eu pertenço somente ao meu pai e à minha mãe. O que quer que Esteja entre vocês não é nada comigo". Pode também dizer ao seu pai, "você é o meu pai e eu sou a sua filha. Olhe para mim por favor, como sua filha." Estas frases, ditas com sinceridade, restauram também uma ordem fundamental. O pai pode olhar para uma filha sua e NÃO NECESSITA DE ver nela uma sua primeira esposa, e NÃO NECESSITA encontrar nela o ódio ea dor que uma sua primeira esposa DEVE ter sentido. E se amar ainda a sua primeira esposa, NÃO NECESSITA ver a sua amada, na filha. Pode olhá-la, ver e, e amar a sua filha. A filha é libertada para ser meramente uma filha, eo pai, um pai.



A filha também pode dizer-lhe, "esta é a minha mãe, eu não estou relacionada com a tua primeira esposa, eu reclamo e quero a minha mãe, para mim é única". E pode dizer à sua mãe, "eu não estou relacionada com uma outra mulher, eu não estou conectada com ela de forma alguma." Tal como um representante da primeira esposa, uma mãe inconscientemente pode ver nela uma outra mulher, e começar um conflito com uma a outra como se Fossem rivais. Quando a filha diz, "você é minha mãe e eu sou sua filha, eu não tenho nenhuma ligação com uma outra mulher, eu quero-te como minha mãe. Por favor, aceita-me como tua filha", ela restaura uma ordem básica .



Ofensas ao igual direito de pertencer são também uma causa de enredos SÉRIOS muito mais. Por exemplo, quando uma criança morre jovem numa família, como outras crianças Tendem um sentirem-se culpadas porque ainda estão vivas quando o seu irmão ou irmã estão mortos. É como se acreditassem que estão em vantagem porque estão vivos eo seu parente está em Desvantagem porque está morto. Tentam inconscientemente falhar procurando compensar, ficando Doentes, em casos extremos ou, querendo morrer, embora não saibam porquê.



Em situações como esta, algumas crianças puderam restaurar a ordem do amor dizendo ao seu parente falecido, "você é meu irmão (ou irmã). Eu respeito-o como meu irmão (irmã). Você tem um lugar no meu coração. Curvo Eu Perante a minha cabeça ti eo teu destino, qualquer que seja, e aceito o meu destino conforme ele vier ". Estas frases prestam respeito ao parente falecido, ea criança viva pode voltar à sua vida, sem culpa.



SISTEMAS MÁGICOS DE OPINIÃO E SUAS CONSEQUÊNCIAS



Para além da Necessidade de reciprocidade que causa uma doença, um sistema mágico de opinião trabalha o seu infortúnio. Nomeadamente, podemos nos libertar Aqueles que amamos do seu sofrimento e infortúnio quando aceitamos com eles carregar. Por exemplo, a alma do filho Frequentemente diz à sua mãe doente terminal ", eu prefiro ficar doente, do que ve-la a sofrer. Eu prefiro morrer do que ve-la morrer". Ou quando uma mãe está a ser afastada da vida por Forças sistémicas, às vezes acontece um filho que comete o suicídio Mágica Na opinião de que o seu sacrifício proporcionará a liberdade suficiente para ficar uma mãe.



A anorexia tem Frequentemente esta dinâmica. Uma criança Anorexica definha lentamente, até que morre. É frequente o caso das almas de tais crianças anorexicas Estejam, que a dizer ao seu pai ou à sua mãe, "eu desaparecer é melhor do que tu partires." Isto é um amor profundo, inocente, mas quando uma criança morre, o que é que ela realiza?



Quando eu trabalho com uma criança Anorexica, eu deixo-a falar em voz alta estas frases da alma. Podem olhar os Representantes da mãe ou do pai nos olhos e dizer-lhes, "fazer desaparecer prefiro deixar que partir-te." Quando uma criança olha a sua mãe ou o seu pai até que os veja realmente, não consegue dizer as frases, porque vê que os seus pais ficarão devastados com a morte a sua. O sistema mágico da opinião da criança ignora totalmente o facto de que os pais também amam, e que rejeitariam sacrifício veementemente tal. E também ignora o fato de que tal sacrifício seria inútil.



Quando uma mãe morre parto não, o seu filho passa um tempo difícil para abraçar a vida Inteiramente. Ajuda tal quando uma criança olha para sua mãe nos olhos e diz "Mãe, eu vejo o preço terrível que pagas-te para que eu pudesse viver; aceito a vida que me des-te, e farei algo de bom com ela; Descansa em Paz, sabendo que eu viverei de modo que o teu sacrifício em vão não tenha sido. " Aceitar a vida desta maneira é amor num nível mais elevado do que o amor cego que tem uma criança, diz que Alma, "Mãe, eu não posso viver totalmente porque morreste tu, sinto-me demasiado culpado". O amor num nível mais elevado exige que nós abandonemos uma opinião mágica que podemos mudar o curso das vidas dos nossos pais para melhor quando nos sacrificamos. Exige que nós transformemos o amor cego que cria e perpetua o sofrimento, num amor que cura.



Os sistemas mágicos de opinião eo amor-criança que segue com uma aliados são eles um sentimento presunçoso de poder e superioridade. Um Filho acredita realmente que as suas doenças e libertar pueden morte o pai ou a mãe da doença e da morte. A verdadeira humildade é o que torna Possível Diminuir essa presunção.



HOMENS E MULHERES



Gostaria agora de me voltar para as Ordens do Amor nos relacionamentos entre homens e mulheres. Este é um tema que está muito perto de nós. Muita gente fica envergonhada, como se isto fosse algo que devesse ser Mantido secreto. O que faz os homens e as mulheres diferentes, diferentes realmente, freqüentemente é cuidadosamente escondido. Ou, Poderíamos dizer que é protegido. É um ponto onde somos mais facilmente feridos. É o ponto da vergonha, uma vergonha que protege um tesouro da profanação. E também o ponto onde nos sentimos mais vulneraveis.



Às vezes as pessoas falam sobre disparatadamente "o movimento humano sexual" e esquecem-se de que esta é uma força fundamental, uma força mais profunda, um guia que e vida como Garantias da sua continuação. É UMA FORÇA QUE NOS Alista No Seu serviço quer nós tenhamos escolhido isso ou não. Se a decisão de casar-se e ter filhos fosse realmente uma decisão racional, ninguém o faria. As pessoas fazem assim por causa do poder da força criativa da natureza que se expressa na nossa sexualidade. Através desta Movimentação, nós estamos em profundo acordo com a alma do mundo. A Movimentação sexual é a maior razão. Todos os outros motivos e considerações racionais empalidecem em comparação à força oculta deste movimento.



A primeira das Ordens Regra do amor entre homens e mulheres é que o homem admite que lhe falta e Necessita do que é uma mulher, e que não importa o quão duramente tente, não consegue o que a mulher já tem. E o amor Requer que a mulher admita que lhe falta e Necessita o que é o homem, e que não importa o quão duramente tente, não consegue o que o homem já tem. Isso significa que ambos se sentem incompletos, e isso Reconhecem que.



Quando um homem admite que Necessita de uma mulher, e que se transforma num homem Através dela, e quando a mulher admite que Necessita de um homem e que se transforma numa mulher Através dele, então a sua Necessidade mútua liga-os ao, profundamente um Outro. Precisamente porque Reconhecem A necessidade de um pelo outro. E esta ligação entre o homem ea mulher Permite que o homem receba o feminino da sua parceira como um presente, e que a mulher receba o masculino de seu parceiro como o seu presente para ela.



Em alguns círculos, os homens são incentivados uma Desenvolver o feminino neles Próprios e as mulheres o masculino, acreditando que isto é bom para eles. Mas imaginar uma ligação entre um homem que Desenvolveu o feminino nele próprio também com uma mulher que tenha desenvolvido o masculino nela mesma. Porque não necessitam um do outro, como pode o seu relacionamento SE TORNAR profundo? Mas se ambos Resistirem à tentação de Desenvolver o género oposto neles Próprios, então a sua Necessidade de um pelo outro uni-lo-ás outra vez.



LIGAÇÕES ENTRE HOMENS E MULHERES



Quando um homem e uma mulher se aceitam um ao outro sem sentido lato de homem e de mulher, então a consumação do seu amor cria uma ligação entre eles que não pode ser dissolvida. Esta ligação é muito diferente dos ensinamentos morais de várias igrejas sobre a indissolubilidade da união. A consumação do amor neste sentido cria uma ligação independente do casamento e de QUAISQUER rituais ou cerimónias.



Reconhecemos uma Existência desta ligação pelos seus efeitos. Por exemplo, se alguém abandona frivolamente um parceiro com quem se tenha ligado desta forma, a seguir, algum Manter tem dificuldade em outro novo parceiro. O novo parceiro detecta uma ligação e não se sente livre para reclamar ao novo parceiro, nem para se Tornar completamente aberto e vulnerável. Por exemplo, uma mulher sentiu secretamente era melhor que do que a primeira esposa do seu novo marido, e convenceu-se de que o poderia fazer muito mais feliz do que a primeira esposa tinha feito. Não obstante, após alguns anos, tornou-se Incapaz de ter com ele intimidadas. Desta forma, inconscientemente Reconheceu uma ligação à sua primeira esposa, e também uma sua própria lealdade ao primeiro parceiro. Perdeu também o marido, como a primeira esposa tinha perdido.



Em Constelações familiares, Frequentemente observamos que uma segunda esposa mantém uma pequena distância de seu marido, como se não pudesse tê-lo Inteiramente porque ele já estava ligado a outra pessoa.



Também podemos Reconhecer a profundidade da ligação pelo seu efeito. Regra geral, o fim do primeiro amor é o mais difícil, é o mais doloroso. A separação Geralmente é mais fácil ligação com a segunda, e ainda mais fácil com uma terceira.



Esta ligação não é o mesmo que amor. Às vezes acontece que uma ligação é muito profunda, mesmo que haja pouco amor, ou que há um grande amor e uma pequena ligação. A ligação é criada pelo acto físico do sexo. Por esta razão, ocorre Muito freqüentemente Através do incesto e Violação da. Se uma vítima de Violação ou incesto de ligar mais tarde espera-se profundamente, ele ou ela Devem tratar da primeira ligação de uma boa forma. O efeito negativo da primeira ligação suaviza-se quando é Reconhecido, eo primeiro parceiro, embora um violador talvez, tenha recebido o Devido respeito. Quando a primeira ligação é odiada e Tratada como algo vil, choca-se com uma habilidade de uma pessoa ligar-se outra vez mais tarde, em circunstâncias melhores.



Hierarquia



O fruto do amor entre um homem e uma mulher SÃO OS SEUS FILHOS. Há também uma ordem escondida que suporta o amor entre filhos, a sua ordem na hierarquia familiar. A hierarquia familiar segue o fluxo do tempo, isto é, Aqueles que vieram primeiro Estavam lá antes daqueles que vêm mais tarde. Numa família, os pais já Estavam lá antes dos filhos. O seu amor de um pelo outro enquanto mulher e homem, fundaram a família, antes e vem do seu amor para com os seus filhos, pais como. Em algumas famílias, com um total crianças atraem atenção de ambos os pais. Em tais famílias, os pais já não são um casal principalmente, mas sim pais fundamentalmente, E OS SEUS FILHOS SOFREM COM Geralmente isso.



Quando o amor dos pais um pelo outro, como mulher e homem, mantém uma Prioridade sua, Os Filhos Geralmente sentem-se confortáveis e muito Satisfeitos. Em famílias assim, o pai está implicitamente a comunicar aos seus filhos, "eu vejo-te como és, mas também vejo a ti em tua mãe, e em ti, eu amo-a respeito de e-a mais do que sempre." E a mãe comunica aos filhos, "eu vejo-te como és, mas ver-te lembra-me o quanto eu amo e respeito o teu pai, porque eu vejo-o em ti também." E os pais COMUNICAM um ao outro ", quando vejo os nossos filhos, amo-te e respeito-te mais ainda." Então o amor dos pais para com os seus filhos é uma continuação do seu amor como um casal, mas o amor de um para o outro dos pais mantém uma sua Precedência, e os filhos sentem-se livres.



Muitas famílias hoje são segundas ou Terceiras famílias. Por exemplo, quando o homem ea mulher relacionamentos anteriores Tiveram filhos e trazem para o novo relacionamento. Qual é a ordem de Prioridade então?



Os pais foram pais dos seus filhos antes de formarem um casal. O amor para com os seus filhos não foi uma continuação do seu amor um pelo outro, como mulher e homem, porque antes eram pais de um casal Serem. Nestas situações, os novos parceiros Devem Reconhecer que o amor aos filhos veio antes do amor pelo parceiro novo e que o grande amor ea dedicação maior Tendem um fluir para os filhos - e naturalmente nas crianças, para o também parceiro anterior. Somente então, na Extremidade da corrente, flui o amor e dedicação para o novo parceiro. Se ambos os parceiros aceitarem esta hierarquia do amor, então o seu amor pode Florescer.



Mas quando um dos parceiros do novo casal diz ao outro: "eu quero vir em primeiro lugar, antes de seus filhos", então o novo amor em perigo e fica não resistirá por muito tempo.



Quando um casal filhos traz para o seu novo relacionamento depois e tem filhos juntos, uma sequência é que primeiro eram filhos dos pais originais, um casal depois, então pais dos Seus Próprios Filhos. Os casais que respeitam esta sequência natural de tempo ea sua relevância para os seus relacionamentos Evitar pueden e resolver o grande desafio dos Conflitos nas parcerias.



Assim, eu esbocei momentaneamente algumas das ordens mais importantes do amor que nós observamos operando nos relacionamentos entre homens e mulheres. De passagem, pode ser útil dizer que também há ordens do amor para casais sem filhos, incluindo casais homossexuais.



Concluindo, quero contar-lhes uma história sobre o amor. Chama-se Duas Boas Sortes.



DUAS BOAS SORTES



Há muito, muito tempo, quando os deuses ainda pareciam estar perto de nós, dois cantores Chamados Orfeu viveram numa cidade pequena.



Um deles era o Grande Orfeu. Inventou uma Cítara, um tipo de guitarra, e quando dedilhou as cordas e cantou, toda a natureza ao seu redor ficou fascinada. Os animais selvagens deitavam-se aos seus pés, como árvores mais altas dobravam-se para baixo para o ouvir. Nada podia resistir ao poder da sua música. E porque era tão grande, cortejou a mais bonita de todas as mulheres. Foi quando o seu problema começou.



A bela Eurydike morreu durante as festividades do casamento, ea Taça de Orfeu, bem Alto elevada, partiu-se na sua mão. Mas para o Grande Orfeu, a morte não era o fim. Com a ajuda da sua grande arte, encontrou uma entrada para o sub-mundo e desceu ao reino das sombras, cruzando o rio do esquecimento, passou os cães do inferno, e aparece vivo em frente ao trono do Deus da Morte, comoveu e-mail o com uma canção.



A morte libertou Eurydike, mas com uma corda amarrada. Orfeu ficou tão feliz que não viu malícia nesta oferta.



Voltou para trás e atrás dele podia ouvir os passos da sua amada. Passaram com os cães Segurança do Inferno, cruzaram o rio do esquecimento e começaram um para subir a luz Podiam ver que à distância. De repente, ouviu gritar Orfeu - Eurydike tinha tropeçado. Em pânico, voltou-se e viu cair como sombras da noite, e estava sozinho. Junto com uma dor sua, cantou uma canção de sua despedida, "Agora perdia-a. A minha felicidade partiu para sempre."



Conseguiu regressar para o mundo da luz, mas como suas experiências nenhum reino da morte fizeram uma estranha Parecer vida. Quando as mulheres embriagadas o convidaram para ir com elas ao festival do vinho novo, ele recusou, então elas rasgaram-no vivo, membro um membro.



Tão grande a sua infelicidade, assim tão inútil uma sua arte. Mas, é conhecido em todo o mundo.



O outro Orfeu era um homem menor. Não era um grande músico. Cantou em pequenas festas para gente simples. Não era muito bem sucedido, mas fê-los felizes e divertiu-se muito. Não podia viver das suas cantigas, e assim arranjou um emprego que não era nada de especial casou com, uma mulher que não era muito especial e teve filhos que tão pouco eram muito especiais. Cometeu pecados pequenos, normais, de tempos a tempos, e foi tão feliz como TODOS OS OUTROS. Teve uma vida muito normal e morreu de velho e satisfeito com a vida.



Mas, ninguém o conhece - excepto eu.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Clarissa Pinkola Estes



"Todas nós temos anseio pelo que é selvagem. Existem poucos antídotos aceitos por nossa cultura para esse desejo ardente. Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de aspiração. Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder nossos sentimentos. No entanto, o espectro da Mulher Selvagem ainda nos espreita de dia e de noite. Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós tem decididamente quatro patas."

"Os lobos saudáveis e as mulheres saudáveis têm certas características psíquicas em comum: percepção aguçada, espírito brincalhão e uma elevada capacidade para a devoção. Os lobos e as mulheres são gregários por natureza, curiosos, dotados de grande resistência e força. São profundamente intuitivos e têm grande preocupação para com seus filhotes, seu parceiro e sua matilha. Tem experiência em se adaptar a circunstâncias em constante mutação. Têm uma determinação feroz e extrema coragem."


"As questões da alma feminina não podem ser tratadas tentando-se esculpi-la de uma forma mais adequada a uma cultura inconsciente, nem é possível dobrá-la até que tenha um formato intelectual mais aceitável para aqueles que alegam ser os únicos detentores do consciente. "

"Não importa a cultura pela qual a mulher seja influenciada, ela compreende as palavras mulher e selvagem intuitivamente.



Quando as mulheres ouvem essas palavras, uma lembrança muito antiga é acionada, voltando a ter vida. Trata-se da lembrança do nosso parentesco absoluto, inegável e irrevogável com o feminino selvagem, um relacionamento que pode ter se tornado espectral pela negligência, que pode ter sido soterrado pelo excesso de domesticação, proscrito pela cultura que nos cerca ou simplesmente não ser mais compreendido. Podemos ter-nos esquecido do seu nome, podemos não atender quando ela chama o nosso; mas na nossa medula nós a conhecemos e sentimos sua falta. Sabemos que ela nos pertence; bem como nós a ela."

"O anseio pela mulher selvagem surge quando nos encontramos por acaso com alguém que manteve esse relacionamento selvagem. Ele brota quando percebemos que dedicamos pouquíssimo tempo à fogueira mística ou ao desejo de sonhar, um tempo ínfimo à nossa própria vida criativa, ao trabalho da nossa vida ou aos nossos verdadeiros amores."


"Quando as mulheres reafirmam seu relacionamento com a natureza selvagem, elas recebem o dom de dispor de uma observadora interna permanente, uma sábia, uma visionária, um oráculo, uma inspiradora, uma intuitiva, uma criadora, uma inventora e uma ouvinte que guia, sugere e estimula uma vida vibrante nos mundos interior e exterior. Quando as mulheres estão com a Mulher Selvagem, a realidade desse relacionamento transparece nelas. Não importa o que aconteça, essa instrutora, mãe e mentora selvagem dá sustentação às suas vidas interior e exterior."


"De que maneira a Mulher Selvagem afeta as mulheres? Tendo a Mulher Selvagem como aliada, como líder, modelo, mestra, passamos a ver, não com dois olhos, mas com a intuição, que dispõe de muitos olhos. Quando afirmamos a intuição, somos, portanto, como a noite estrelada: fitamos o mundo com milhares de olhos."

"0 arquétipo da Mulher Selvagem, bem como tudo o que está por trás dele, é o benfeitor de todas as pintoras, escritoras, escultoras, dançarinas, pensadoras, rezadeiras, de todas as que procuram e as que encontram, pois elas todas se dedicam a inventar, e essa é a principal ocupação da Mulher Selvagem. Como toda arte, ela é visceral, não cerebral. Ela sabe rastrear e correr, convocar e repelir. Ela sabe sentir, disfarçar e amar profundamente. Ela é intuitiva, típica e normativa. Ela é totalmente essencial à saúde mental e espiritual da mulher."

"E então, o que é a Mulher Selvagem? Do ponto de vista da psicologia arquetípica, bem como pela tradição das contadoras de histórias, ela é a alma feminina. No entanto, ela é mais do que isso. Ela é a origem do feminino. Ela é tudo o que for instintivo, tanto do mundo visível quanto do oculto - ela é a base. Cada uma de nós recebe uma célula refulgente que contém todos os instintos e conhecimentos necessários para a nossa vida.

Ela é a força da vida-morte-vida; é a incubadora. É a intuição, a vidência, é a que escuta com atenção e tem o coração leal. Ela estimula os humanos a continuarem a ser multilíngües: fluentes no linguajar dos sonhos, da paixão, da poesia. Ela sussurra em sonhos noturnos; ela deixa em seu rastro no terreno da alma da mulher um pêlo grosseiro e pegadas lamacentas. Esses sinais enchem as mulheres de vontade de encontrá-la, libertá-la e amá-la.

Ela é idéias, sentimentos, impulsos e recordações. Ela ficou perdida e esquecida por muito, muito tempo. Ela é a fonte, a luz, a noite, a treva e o amanhecer. Ela é o cheiro da lama boa e a perna traseira da raposa. Os pássaros que nos contam segredos pertencem a ela. Ela é a voz que diz, "Por aqui, por aqui".

Ela é quem se enfurece diante da injustiça. Ela e a que gira como uma roda enorme. É a criadora dos ciclos. É à procura dela que saímos de casa. É à procura dela que voltamos para casa. Ela é a raiz estrumada de todas as mulheres. Ela é tudo que nos mantém vivas quando achamos que chegamos ao fim. Ela é a geradora de acordos e idéias pequenas e incipientes. Ela é a mente que nos concebe; nós somos os seus Pensamentos."

"Se as mulheres querem que os homens as conheçam, que eles realmente as conheçam, elas têm de lhes ensinar algo do seu conhecimento profundo. Algumas mulheres dizem que estão cansadas, que já se esforçaram demais nessa área. Sugiro humildemente que elas estiveram tentando ensinar um homem sem vontade de aprender. A maioria dos homens quer saber, quer aprender. Quando os homens demonstram essa disposição, é a hora de fazer revelações; não apenas a esmo, mas porque mais uma alma perguntou. "

"0 companheiro certo para a Mulher Selvagem é aquele que tem uma profunda tenacidade e resistência de alma, aquele que sabe mandar sua própria natureza instintiva ir espiar por baixo da cabana da alma de uma mulher e compreender o que vir e ouvir por lá. O bom partido é o homem que insiste em voltar para tentar entender, é o que não se deixa dissuadir."

"Portanto, a tarefa primitiva do homem consiste em descobrir os nomes verdadeiros da mulher, não em usar indevidamente esse conhecimento para ganhar controle sobre ela, mas, sim, para captar e compreender a substância luminosa de que ela é feita, para deixar que ela o inunde, o surpreenda, o espante e até mesmo o assuste. Também para ficar com ela. Para entoar seus nomes para ela. Com isso os olhos dela brilharão. E os dele também."

"É bom ter muitas personas, colecioná-las, costurar algumas, recolhê-las à medida que avançamos na vida. Quando vamos envelhecendo cada vez mais, com uma coleção dessas à nossa disposição, descobrimos que podemos ser qualquer coisa, a qualquer hora que desejemos."





 

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Rubem Alves






O tempo perdido não pode ser recuperado. Sua beleza só pode ser vivida como ausência: a beleza dói... Magia é isto: invocar o que se foi,mas que continua a nos habitar. Ou será poesia?


( Frases e Pensamentos de Rubem Alves) Mensagem sobre Poesia






A alma é uma coleção de belos quadros adornecidos, os seus rostos envolvidos pela sombra. Sua beleza é triste e nostálgica porque, sendo moradores da alma, sonhos, eles não existem do lado de fora. Vez por outra, entretanto, defrontamo-nos com um rosto (ou será apenas uma voz, ou uma maneira de olhar, ou um jeito da mão...) que, sem razões, faz a bela cena acordar. E somos possuídos pela certeza de que este rosto que os olhos contemplam é o mesmo que, no quadro, está escondido pela sombra. O corpo estremece. Está apaixonado.

( Frases e Pensamentos de RUBEM ALVES)



A celebração de mais um ano de vida é a celebração de um desfazer, um tempo que deixou de ser, não mais existe.Fósforo que foi riscado.Nunca mais acenderá.Daí a profunda sabedoria do ritual de soprar as velas em festa de aniversário.Se uma vela acesa é símbolo de vida, uma vez apagada ela se torna símbolo de morte.


( Frases e Pensamentos de RUBEM ALVES)



A esperança é uma droga alucinógena

( Frases e Pensamentos de RUBEM ALVES)



A paixão é emoção gratuita. Não há causas que a expliquem. Mas, quando acontece, ela age como uma artista: da paixão surgem cenas de beleza. Os amantes se imaginam andando de mãos dadas por campos floridos; abraçados numa rede; silenciosos, diante do fogo da lareira; contemplando o rosto de um nenezinho adormecido... Paisagens de paixão

( Frases e Pensamentos de RUBEM ALVES)



A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar.


( Frases e Pensamentos de RUBEM ALVES)



A vida não pode ser economizada para amanhã. Acontece sempre no presente

( Frases e Pensamentos de RUBEM ALVES)



Acontece, entretanto, que não esxiste coisa alguma que seja do tamanho do nosso amor. A nossa fome de beleza é grande demais.(...)Cedo ou tarde descobrirá que o rosto não é aquele. E a bela cena retornará à sua condição de sonho impossível da alma. E só restará a ela alimentar-se da nostalgia que rosto algum poderá satisfazer...


( Frases e Pensamentos de RUBEM ALVES)




Amar é ter um pássaro pousado no dedo. Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que, a qualquer momento, ele pode voar.

( Frases e Pensamentos de RUBEM ALVES)



Ao final de nossas lomgas andaças, chegamos finalmente ao lugar.E o vemos então pela primeira vez.Para isso caminhamos a vidainteira:para chegarao lugar de onde partimos.E, quando chegamos, é surpresa.È como se nunca o tivéssemos visto.Agora, ao final de nossas andaças, nossos olhos são outros, olhos de velhice, de saudade.


( Frases e Pensamentos de RUBEM ALVES)



As razões de poder transfomam crimes em heroísmo

( Frases e Pensamentos de RUBEM ALVES)



Continuaram a acariciar-se sem desejo e atormentando-se com as súplicas e as recordações.Saborearam a amargura de uma despedida que pressentiam,mas que ainda podiam confundir com uma reconciliação.


( Frases e Pensamentos de RUBEM ALVES)



Deus existe para tranquilizar a saudade.

( Frases e Pensamentos de RUBEM ALVES)



Deus é alegria. Uma criança é alegria. Deus e uma criança têm isso em comum: ambos sabem que o universo é uma caixa de brinquedos. Deus vê o mundo com os olhos de uma criança.Está sempre à procura de companheiros para brincar.


( Frases e Pensamentos de RUBEM ALVES)



Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.

( Frases e Pensamentos de RUBEM ALVES)



Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.


( Frases e Pensamentos de RUBEM ALVES)



Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.

( Frases e Pensamentos de RUBEM ALVES)



Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses


( Frases e Pensamentos de RUBEM ALVES)




O que é vida? Mais precisamente, o que é a vida de um ser humano? O que e quem a define?

( Frases e Pensamentos de RUBEM ALVES)



Quem experimenta a beleza está em comunhão com o sagrado.


( Frases e Pensamentos de RUBEM ALVES)



Quem não planta jardim por dentro, não planta jardins por fora e nem passeia por eles.

( Frases e Pensamentos de RUBEM ALVES)



Toda alma é uma música que se toca.


( Frases e Pensamentos de RUBEM ALVES)



Todas as palavras tomadas literalmente são falsas. A verdade mora no silêncio que existe em volta das palavras. Prestar atenção ao que não foi dito, ler as entrelinhas. A atenção flutua: toca as palavras sem ser por elas enfeitiçada. Cuidado com a sedução da clareza! Cuidado com o engano do óbvio! ().

( Frases e Pensamentos de RUBEM ALVES)



Todo jardim começa com uma história de amor, antes que qualquer árvore seja plantadaou um lago construído é preciso que eles tenham nascido dentro da alma.


( Frases e Pensamentos de RUBEM ALVES)



ler é fazer amor com as palavras

( Frases e Pensamentos de RUBEM ALVES)



É mais fácil amar o retrato. Eu já disse que o que se ama é a ‘cena’. ‘Cena’ é um quadro belo e comovente que existe na alma antes de qualquer experiência amorosa. A busca amorosa é a busca da pessoa que, se achada, irá completar a cena. Antes de te conhecer eu já te amava.... E então, inesperadamente, nos encontramos com rosto que já conhecíamos antes de o conhecer. E somos então possuídos pela certeza absoluta de haver encontrado o que procurávamos. A cena está completa. Estamos apaixonados!

( Frases e Pensamentos de RUBEM ALVES)



Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música


não começaria com partituras, notas e pautas.


Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria


sobre os instrumentos que fazem a música.


Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria


que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas.


Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas


para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes.


( Frases e Pensamentos de RUBEM ALVES)